
O estudantado independentista perante o anteprojecto de decreto do galego

Março 2010
Jesús Vázquez e Anxo Lorenzo apresentárom a finais da semana passada o anteprojecto de decreto do galego no ensino. A tese da autonomia familiar para decidir a política lingüística por cursos, defendida exclusivamente polo sector mais ultra do PP, o vinculado à socialmente marginal Galicia Bilingüe, tem saído vencedora após o debate gerado a raíz da apresentaçom do rascunho a finais de ano.
Se bem o PP abrira um período de consultas, forçado pola contestaçom maciça em contra do rascunho de Dezembro, agora a balança nom fijo senom inclinar-se do lado do espanholismo. Se há algo acreditado, é que com o PP, toda mudança respeito do galego pode ser a pior.
O flash do inglês
Visto e nom visto, o inglês é talvez o melhor exemplo de como funciona o departamento do cateto de Jesús Vázquez. Protótipo de personagem visionário, deidicou-se há uns meses a fazer-nos ver a importáncia de aprender idiomas (três, quatro, cinco...), mas paradoxalmente nom domina a própria do seu País. Só fai falta escuitar a desvergonha com que chapurrea a nossa língua, mui ao uso dos politiquinhos de todas as cores.
O que pretendia ser a política mais inovadora do Estado em matéria lingüístico-educativa, que recebeu os parabéns do presidente da Comunidade Autónoma de Euskadi como novo paradigma, apagou-se dum dia para o outro. O inglês volveu onde estava, conservando os textos oficiais, isso sim, a ladainha de que se procurará a sua promoçom e uso docente lá onde for possível e bla, bla, bla...
Regresso a 50%
O nosso idioma vai por estaçons. Na primeira parada, em 2007, o bipartido decretava 50% para a língua própria. Nengum avance se nom se acompanhava das medidas inspectoras e formativas necessárias para implementar a reforma para além das palavras. Nada novo daquela.
Na segunda parada, o PP ofereceu-nos um galego quase residual com 33%. De cifra em cifra, as fichas volvem à posiçom de partida que tanto debate gerou. O fifty-fifty, recurso fácil para calmar consciências e encerrar o cutre debate político do galeguismo bem-entendido sob a estética do correcto. Equilíbrio numérico para um idioma em progressiva extinçom, isolamento da lusofonia, perda de utentes e ámbitos de uso e dialectalizaçom respeito do espanhol. Todo um logro do apartheid social da nossa língua, sobre cuja superaçom ainda nom escuitamos novas cifras concretas por parte do mundo do BNG. A nossa está clara: 100% em galego. O que é umha realidade além do Berzo mas que aqui se nos nega: educaçom íntegra na língua nacional.
Divissom lingüística dos conhecimentos
Já os meios se encarregam de oferecer qual a nova regulamentaçom que imporá (do famoso verbo impor) o Partido Popular. O texto com 23 artigos apresentará-se esta semana. O sábado apenas fôrom comunicadas as linhas gerais e principais mudanças no novo documento.
As matérias ministrarám-se em funçom da adscriçom legal a um em dous blocos: o bloco lingüístico do galego ou o do espanhol. Boa forma de fazer-nos entender, com outras palavras, que determinadas matérias nom poderám ser aprendidas em galego. Esta adscriçom a cada bloco pode ser mudada com consultas familiares a cada quatro anos, mas, nom obstante, a conselharia já estabelece umha asignaçom por defecto para empezar. Paradoxalmente, a divissom lingüística das matérias transloze umha associaçom do espanhol com as matérias mais sérias, idealmente masculinas, técnicas e complexas, e do galego com as mais fáceis, idealmente femininas, manuais e asequíveis. É importante nom eludir a análise sobre a carga ideológica por trás destas asignaçons.
Na ESO, serám "galegas" por agora: Ciências Sociais, Geografia e História, Ciências da Natureza, Geologia e Biologia. Serám "espanholas": Matemáticas, Tecnologia, Física e Química.
Em Educaçom Primária, a "galeguidade" corresponde por decreto e a priori a Conhecimento do Meio, e a "espanholidade" a Matemáticas.
Em ambos casos, as famílias poderám decidir cada quatro ano um troco nos blocos asignados por defecto, mas se a escolha determinar, por exemplo, que Matemáticas em Primária for galega, necessariamente Conhecimento do Meio deveria ser espanhola. Todo um circo da democracia por encargo que continua a semear o infantilismo político na Conselharia.
O resto das matérias asignarám-se respectivamente a galego ou espanhol segundo decidam as famílias em votaçom. Ora, sempre que a votaçom nom crebe as percentagens 50-50. Adiantando-se ao temporal, Vázquez e Lorenzo semelham nom advertir o caos que suporám os múltiplos casos em que as votaçons digam umha cousa, e por lei se tenha que aplicar outra. Máxime quando tenhem promocionado tanto o discurso da livre eleiçom... Quem e como se determinará a divissom lingüística dum centro em que 90% das famílias votasse numha língua para todo?
Bacharelato e FP farám o reparto a 50-50 do mesmo jeito mas sem matérias pré-adjudicadas.
Em Ensino Infantil, onde o índice de crianças com língua materna galega desce a cada ano, desouvem-se as recomendaçons internacionais de imersom lingüística e prioriza-se o espanhol com o galho de que se empregará a língua materna predominante entre o alunado. Umha trampa colocada de forma estratégica para aproveitar-se da ruptura na transmissom intergeracional do galego. Factor social que, como tantos outros, ignora este decreto construido sobre umha sociedade ideal com dúas cabeças para dúas línguas.