
Dezembro 2007
Jovens estudantes da Faculdade de Ciências das Comunicaçons da USC entrevistárom recentemente o Responsável Nacional em funçons de AGIR, Senim Gonçalves, dentro da elaboraçom dum trabalho de campo sobre a movimentaçom contra os processos de convergência educacional na Uniom Europeia.
Com estes estudos elaborados no marco da especialidade que cursam, companheiros e companheiras do Cámpus Norte aproveitam os canais de relaçom com a nossa organizaçom, e também com outras, para suster sobre acontecimentos de grande transcendência e importáncia para o conjunto do estudantado o seu desenvolvimento académico.
Parabenizamo-l@s por investir esforços em questons tam candentes, e por confiar no nosso posicionamento para elaborar entrevistas críticas e de utilidade na sua formaçom universitária.
De resto, recomendamos a leitura da mesma para aprofundarmos mais um anaco no que é o Espaço Europeu de Ensino Superior, e em como enfrentarmo-lo sob a perspectiva teórico-práctica da juventude estudantil autoorganizada em AGIR.
Qual o vosso posicionamento sobre o Processo de Bolonha?
Senim Gonçalves: O nosso posicionamento é de rechaço frontal ao Processo de Bolonha. Baixo a nossa opiniom, a nova reforma vem a ser a "estocada" final ao ensino público universitário.
A diferença da nossa postura respeito à doutras organizaçons estudantis que trabalham no pais é que o nosso é um rechaço frontal e aberto contra Bolonha que nom vem condicionado pola nossa dependência dum pacto do governo como é o caso dos CAF, nem de ser umha sucursal de Espanha na Galiza como poderia ser o caso do Sindicato de Estudantes.
A nossa crítica ao Processo Bolonha é feita desde a óptica do estudantado galego, sem nengum agente externo a maiores que poda condicionar o nosso posicionamento sobre a reforma
Quais achais as principais eivas?
S.G.:O Processo de Bolonha tem umha série de caracteristicas concretas que nós denunciamos.
1.Entrada de capital privado na universidade. A diminuiçom do investimento público em aras do aumento do privado supom que sejam as empresas as que paulatinamente determinem os planos de estudo, quais as carreiras que devem ser financiadas e quais nom...
2.Elitizaçom do estudantado. Com a estruturaçom dos estudos universitários em graus e pós-graus, os primeiros ficarám como estudos de conteúdo geral aos que poderá aceder um maior número de estudantes, enquanto os pós-graus serám principalmente financiados por empresas privadas e com preços de matrícula de até 6000 euros.
É óbvio que esta medida vai encaminhada à produçom de elites profissionais para aqueles/as com mais recursos.
3.Bolsas empréstimo. A nova reforma potenciará a mudança paulatina das actuais bolsas por bolsas empréstimos que @s estudantes teremos que devolver com interesses ao rematar os nossos estudos. Comezando agora o nosso endividamento muito antes.
4.Mobilidade. Com o galho da mobilidade o que se vai criar é um mercado de competência de universidades a nível europeu cuja conseqüência imediata será a apariçom de universidades de 1ª, 2ª e 3ª categoria.
É óbvio que sendo o nosso um país da periferia do centro capitalista europeu, nom serám as nossas universidades as de 1º nem, possivelmente, de 2º categoria.
5.Creditos ECTS. Com a apariçom dos créditos ECTS pretende igualar-se a "jornada estudantil" com a jornada laboral dum/ha operário/a, convertendo-nos, aos/às estudantes, em pessoas dedicadas a tempo total aos labores específicos do estudos que fagamos.
Que passará com tod@s aquelas/es que tenham inquedanças culturais, políticas, sindicais, desportivas ... , ou com aquelas/es que tenhem que trabalhar para financiar-se os seus estudos?
6.Homogeneizaçom do povos. Se a reforma será nefasta para tod@s os estudantes filh@s de trabalhadoras/es de toda Europa, será doblemente mala para @s estudantes daqueles povos que, como o nosso, nom podem sentar a negociar em pé de igualdade com o resto de estados europeus.
A chegada de Bolonha significará mais um argumento para continuar a erradicar o galego das aulas universitárias, mais um argumento para nom aplicar planos de estudo baseados na realide socio-cultural do nosso país.
Tem algumha vantagem respeito do sistema actual?
S.G.:É óbvio que desde AGIR nom nos oporiamos a que um/ha estudante galeg@ poda ir com o seu titulo universitário por toda Europa. Mas questons como esta simplesmente som os "cantos de sereia" com os quais nos querem aplicar umha reforma que vai contra os interesses do estudantado das universidades públicas galegas.
Por outro lado é óbvio o retrocesso que se está a dar na qualidade e no accesso à universidade. Se há 30 anos as organizaçons estudantis renegavam do ensino público por reproduzir os roles do sistema capitalista, a dia de hoje as organizaçons estudantis vemo-nos na obriga de luitar polo acesso de tod@s ao ensino público superior.
Os pasos que se estám a dar vam encaminhados a converter @s que hoje somos estudantes em consumidoras/es.
Quais as principais conseqüências para as universidades e o estudantado galego?
S.G.:Como já comentei antes, é importante destacar que as conseqüências para @s universitári@s galeg@s vam ser mais nefastas do que para aqueles/as estudantes de países que se atopam em condiçom de exercer o poder político como França, Bélgica ou Alemanha.
Para nom repetir-me, penso que a melhor exemplificaçom do que vai supor a chegada de "Bolonha" às universidades galegas é que a partir da sua aplicaçom, quando vaiamos aos LERD a solicitar as nossas bolsas universitárias, onde atopávamos formulários da USC, UdC e UdV, a partir de entom atoparemos formulários para solicitar préstamos de Caixa Galicia, BSCH, Caixa Nova, ...
Que alternativas proponhedes?
S.G.:A nossa alternativa ao actual sistema universitário baseado no liberalismo é claro. Nós defendemos que o sistema universitário galego deve artelhar-se sobre uns principios básicos: deve ser um ensino galego, publico, democrático, de qualidade e nom patriarcal.
Além disto a nossa nom é umha posiçom de possibilismo ante as actuais instituiçons. A diferença doutras organizaçons nós temos claro que o ensino que pretendemos construir nom colhe no actual marco jurídico espanhol, e que nengumha reforma estatutária ou reforma constitucional poderia dar cabida a umha verdadeira Universidade Pública Galega. O ensino polo que nós luitamos só será possível na futura República Socialista Galega.